Título: A rainha do castelo de ar
Millennium
#3
Título
original: Luftslottett Som Sprängdes
(Millennium
#3)
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 688
Sinopse: Com mais de 15 milhões de exemplares vendidos no mundo, a trilogia Millennium é uma das mais bem-sucedidas séries policiais dos últimos anos, e já conta com uma versão cinematográfica, prevista para estrear no Brasil ainda este ano. Quer seja tratando da violência contra as mulheres, quer seja enfocando os crimes cometidos por magnatas ou pelo Estado, a saga cumpre sua principal missão: a de nos envolver numa leitura absorvente, cheia de mistérios. Neste terceiro e último volume da série, Lisbeth Salander se recupera, num hospital, de ferimentos que quase lhe tiraram a vida, enquanto Mikael Blomkvist procura conduzir uma investigação paralela que prove a inocência de sua amiga, acusada de vários crimes. Mas a jovem não fica parada, e muito mais do que uma chance para defender-se, ela quer uma oportunidade para dar o troco. E agora conta com excelentes aliados. Além de Mikael, jornalista investigativo que já desbaratou esquemas fraudulentos e solucionou crimes escabrosos, no mesmo front estão Annika Giannini, advogada especializada em defender mulheres vítimas de violência, e o inspetor Jan Bublanski, que segue sua própria linha investigativa, na contramão da promotoria. Com a ajuda deles, Lisbeth está muito perto de desmantelar um plano sórdido que durante anos se articulou nos subterrâneos do Estado sueco, um complô em cujo centro está um perigoso espião russo que ela já tentou matar. Duas vezes. A rainha do castelo de ar enfoca de modo original as mazelas da sociedade atual, tendo conquistado um lugar único dentro da literatura policial contemporânea.
Leia também:
Millennium #1 Oshomens que não amavam as mulheres - Stieg Larsson (Companhia das
Letras)
Millennium #2 A
menina que brincava com fogo -
Stieg Larsson (Companhia das Letras)


Até então, o leitor acompanha toda a
trajetória de Lisbeth Salander, diante de tantas opressões e casos repletos de
segredos e insanidades. A narrativa se mostra cruel diante das revelações, mas
é justamente isso que incentiva a ampliação das estruturas e consequentes
investigações. Ela não cometeu os crimes pelos quais é acusada, e parece que
não há saída diante de um governo irredutível.
A parte interessante é que a garota se
mostra ainda mais confiante, apesar de sempre parecer ser mais solitária do que
realmente é. Suas características fazem o livro, e acredito que se não fosse
ela, as coisas não seriam da mesma forma. Pode parecer um pouco egoísta, mas
Lisbeth só está batalhando pelos seus ideias e pelo que é o correto. Uma coisa
é certa: assunto não falta quando o assunto é esta protagonista, tão
irreverente e atrevida.

Outros personagens também entram em
cena para desvendar essa complexidade e esse é mais um ponto positivo para o
enredo. O acréscimo dessas personalidades se faz mais presente na medida em que
as descobertas fazem sentido e valorizam as atitudes que os envolvem. Há mais
união e é interessante poder perceber dicas sutis ao longo de cada encontro e
afins.

É um livro com opiniões fortes e ainda
bem que tinha este livro em mãos depois que finalizei “A menina que brincava
com fogo”. Isso porque há certo temor sobre os acontecimentos posteriores e
essa iniciação segue o mesmo ritmo do anterior. Há muitos questionamentos e
acredito que esse pode ser o mais incerto de todos, sendo que é até difícil
explicar o porquê desta constatação. Uma hora estamos confiantes do que é o
correto, porém chega um momento em que tudo parece mais bagunçado e impossível.

Fiquei com medo de que não fosse
gostar tanto deste livro por questões que envolvem muita política. Porém os
assuntos inacabados de Lisbeth, juntamente com personalidades inovadoras,
roubam a cena e mostram que o que importa de verdade são os julgamentos a serem
realizados. As explicações sobre as conspirações também são bem coerentes,
valorizando ainda mais o contexto da obra.
“Calcula-se
em seiscentos o número de mulheres soldados que combateram na Guerra de
Secessão. Alistaram-se travestidas de homem. Hollywood deixou passar batido
todo um aspecto da história cultural — ou será que esse aspecto incomoda muito
do ponto de vista ideológico? Os livros de história sempre tiveram dificuldade
em falar de mulheres que não respeitam os padrões de gênero, e em nenhuma área
essa limitação é tão evidente como na guerra e no que se refere ao manejo de
armas.” Pg.07
Classificação SEL: 4/5
Comentários
Beijos