Título: Cova 312
A Longa Jornada de Uma Repórter Para
Descobrir o Destino de Um Guerrilheiro, Derrubar Uma Farsa e Mudar Um Capítulo
da História do Brasil
Autor: Daniela Arbex
Editora: Geração
Páginas: 344
Sinopse: Menos de dois anos depois de seu surpreendente bestseller de estreia, “Holocausto brasileiro”, Daniela Arbex volta com mais um livro corajoso e revelador. Escrito como um romance, nele se conta a história real de como as Forças Armadas mataram pela tortura um jovem militante politico, sumiram com seu corpo e forjaram um suicídio. Daniela Arbex reconstitui o calvário deste jovem, de seus companheiros e de sua família até sua morte e desaparecimento. E continua investigando até descobrir seu corpo, na anônima Cova 312 que dá título ao livro e ainda apresenta uma revelação bombástica para mudar um capítulo da história do Brasil. Uma história apaixonante, cheia de mistério, poesia, tragédia e sofrimento. O prefácio é assinado pelo escritor Laurentino Gomes, da trilogia 1808, 1822 e 1889, leia um trecho, “O tema pode parecer pesado e, como trata de episódio ainda mal resolvido da história recente brasileira, difícil de digerir. Seria assim, não fosse a capacidade prodigiosa de Daniela Arbex de transformar histórias trágicas em uma narrativa fluida, atraente, poética e, em alguns momentos, até divertida...”
Resenha:
“Cova 312”, de Daniela Arbex,
também autora de Holocausto Brasileiro (ao qual já quero ler também), explora
momentos conturbados diante de uma realidade ainda mais perturbadora. E é claro
que pela história ser real, existe uma expectativa bem mais impactante diante
dos acontecimentos retratados. Ainda assim, o que chama a atenção a principio é
o modo sutil como a autora narra, deixando toda a caminhada mais envolvente.
Livros que trabalham com investigação são muito interessante,
porque consegue atingir certos pontos que talvez não tenham sido devidamente
compreendidos. Isso quer dizer que há muitos e muitos pontos de vista em uma tragédia,
incluindo as experiências sentidas pelo personagem. Então, pode-se mesmo dizer
que tudo é assustador demais e nos faz perceber os detalhes mais sensíveis do
enredo.

Milton
Soares de Castro era integrante
do primeiro grupo de guerrilha pós golpe de 1964. Mas há muito a se questionar
sobre esses planejamentos e revoluções. O evento não ocorreu e Milton fora
preso diante de muita injustiça e opressão. Assim, sua vida também terminou
nesse mesmo lugar, na penitenciária de Linhares, Juiz de Fora, Minas Gerais.
O personagem é abrangido de uma forma
muito especial, sendo que conseguimos nos identificar com algumas de suas
emoções mais intimas. Por mais que seja difícil imaginar os horrores pelo que
passou, a leitura vale a pena justamente pelas descrições de sua vida, marcada
por tantos sofrimentos, batalhas e
questionamentos que ficaram em aberto.

Muitos nomes conhecidos são citados, e
dentre tantos destaques, vale citar não os nomes em si, mas a relevância dos
argumentos para cada um deles. A busca pelas experiências de Milton e posterior
corpo são instigantes e é muito recompensador entender como tudo ocorreu.
Inclusive, o nome do livro se dá porque a Cova 312 é onde o corpo de Milton foi
encontrado. Ainda é possível conferir revelações inéditas por meio dos
documentos apresentados, além de fotos e referencias sobre a ditadura da época.
Mais surpreendente ainda é o modo como
ocorre a inserção do mistério entre
as páginas. Parece surreal, mas não é, assim como parece ficção, mas não é. A reconstituição é o que incentiva o
leitor a querer saber mais e mais sobre os ocorridos, mesmo porque são peças
importantes da história e merecem a devida atenção da população.

O prefácio é escrito por Laurentino
Gomes, autor dos livros 1808, 1822 e 1889. No decorrer dos capítulos há algumas
imagens que comprovam os argumentos, facilitando também o nosso próprio
entendimento das cenas e demais notícias. Tudo é muito completo e é preciso ler
mesmo com atenção para compreender a imensidão de emoções que a autora
conseguiu reproduzir. Vale a pena conferir para quem curte esse gênero mais investigativo!
“Quase cinquenta anos se passaram para
que a verdade pudesse ser reconstituída no caso de Milton, um trabalho de
pesquisa cercado de reviravoltas, como em 29 de maio de 2014. Nessa data, quando,
finalmente entrei na Cela 30 de Linhares, na companhia do fotógrafo Fernando
Priamo e do perito criminal Domingos Lopes Daibert, descobri que a última parte
da jornada era apenas o começo da história.” Pg.29
Classificação SEL: 4/5
Comentários
Conheci Holocausto Brasileiro através de um amigo e quero muito ler. Assim como Cova 312.
A ditadura militar sempre foi um assunto que me interessou muito.
Beijos
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