Título: O confidente
Título original: Le Confident
Autor: Hélène Grémillon
Editora: Aeroplano
Páginas: 256
Sinopse: Paris, 1975. Depois da morte de sua mãe, Camille recebe mensagens de pêsames pelo correio e, dentre elas, uma carta estranha, escrita à mão, sem remetente e sem assinatura, lhe contando a história de um menino chamado Louis, apaixonado por Annie, dois anos mais nova que ele. Annie e Louis crescem juntos no mesmo vilarejo e se separam ainda adolescentes, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, quando a menina começa a frequentar a casa de um jovem casal rico e sem filhos, e acaba fazendo parte de uma trama implacável. O confidente é um romance magnífico e inesquecível, que mistura história de amor, suspense psicológico e relato histórico, e mantém os leitores fascinados da primeira à última linha. Para os leitores de O caçador de pipas, A culpa é das estrelas, O tempo entre costuras e O menino do pijama listrado, chega finalmente ao Brasil, o livro de maior sucesso na Europa nos últimos anos.
Resenha:
“O confidente”, escrito pela autora francesa Hélène Grémillon, é um romance incrível desde as primeiras páginas,
seja por conta da ambientação, dos personagens ou pelas conexões feitas. E
confesso ainda que esta leitura me surpreendeu bem mais que o esperado. Isso
porque os detalhes são tão envolventes e determinantes, que é como se o leitor
fizesse parte da história de alguma maneira.
Camille
Werner começa a
receber cartas de alguém disposto a lhe contar uma história de amor, ou pelo
menos era o que parecia ser no começo. Seria apenas isso, ou então um engano
total. O fato é que a trama, que se mostrava tão solitária, começa a ganhar
vida de uma forma inimaginável. E é como se cada descoberta fizesse sentido
apenas em seu momento certo.
Por fim, ela ficava esperando as
cartas com um desespero aparente, como se acabasse se tornando algo dela mesma.
E é claro que entendemos bem como as ligações são perceptíveis nessas
narrativas. A mãe dela morreu, então essas correspondências serviram como um
caminho alternativo para esquecer um pouco de seus próprios problemas.
A carta era de Louis e nem de longe
parecia ser uma mensagem de pêsames. A primeira recebida estava sem assinatura,
mas o manuscrito parecia ser longo e muito bem detalhado. E é assim que
começamos a conviver com a escrita de Louis, e contando a respeito de Annie. As
declarações são intensas e os pensamentos começam a ficar um tanto confusos
pelas demais informações.
Tudo não poderia ser mais estranho,
mas é inevitavelmente instigante também. A ambientação também influencia
bastante na compreensão de cada atitude. Mesmo porque a relação com a Segunda
Guerra Mundial é arriscada e define muitos aspectos nesse conto. E é isso que
tornam as coisas mais sensíveis, misteriosas e, de certa forma, ambiciosas.
Impossível não tentar adivinhar o que
pode acontecer no desfecho e imaginar as consequências das revelações. Terminei
de ler e ainda me sinto perdida diante de um turbilhão de sentimentos. Tenho
questionamentos a respeito rodeando a minha cabeça, e fico com uma vontade enorme
de ler novos títulos dessa autora.
Classificação SEL: 4/5


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