Comecei essa leitura imaginando que encontraria apenas uma boa história sobre a vida no campo… mas encontrei muito mais.
Juarez Zaias cria um retrato vivo do faxinal, um tipo de comunidade rural que parece pulsar a cada página. Logo no início, já me vi caminhando pelas estradinhas de terra, sentindo o cheiro da lenha queimando no fogão, ouvindo conversas que misturam histórias antigas e o burburinho do presente.
O bodegueiro, personagem central, é muito mais do que um comerciante local — ele é uma ponte entre mundos.
Por meio dele, somos apresentados à imigração eslava, aos hábitos caboclos, às tradições que moldam a vida agreste e às pequenas grandes histórias que sobrevivem no tempo.
Cada cena carrega uma atmosfera própria, como se cada gesto, cada palavra, fosse parte de um mosaico cultural cuidadosamente montado.
A narrativa mistura com habilidade a leveza de um conto e a profundidade de um estudo etnográfico. É o tipo de escrita que exige atenção, mas recompensa com imagens tão vívidas que a gente quase sente o peso do sol de fim de tarde ou o frio cortante de um amanhecer no interior. Não é um livro para ler correndo — é para degustar, como quem escuta um bom contador de histórias sentado à beira do fogão.
Ainda estou no início, mas já percebo que essa obra não se limita a entreter; ela preserva e celebra memórias. É um mergulho na identidade de um povo e na riqueza de suas raízes, com um cuidado que só um autor apaixonado pelo tema poderia oferecer.
📖 Se seguir nesse ritmo, sei que vou terminar com a sensação de ter vivido no faxinal — e talvez com saudade de um lugar que, mesmo sem conhecer pessoalmente, agora faz parte de mim.
✨ E você? Já leu algum livro que te transportou para um mundo tão real que parecia fazer parte da sua própria história?
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