Sobre o livro:
Sinopse: Cecília sempre sonhou em ser detetive, exatamente como o avô. Já adulta, ela finalmente consegue seu primeiro caso: investigar um incêndio suspeito em Itaipaema, uma cidadezinha pacata onde supostamente crimes nunca acontecem. O que ela não esperava era ter de lidar com o maior desafio da investigação logo de cara: trabalhar ao lado do delegado local, por acaso também seu avô, que não parece tão feliz com o caminho que ela escolheu trilhar. Como se não bastasse, ela reencontra Beto, seu amigo de infância, agora um homem de sorriso fácil e braços difíceis de ignorar. O pior é que ele pode estar envolvido nos crimes. E o que começa como uma simples investigação logo se transforma em algo muito maior e sombrio. Enxames de vespas suspeitas, pistas que parecem não levar a lugar algum, segredos antigos e uma avó decidida a arranjar um casamento para a neta são só uma parte do que Cecília vai ter de enfrentar enquanto tenta provar seu valor como detetive, e talvez ― só talvez ― admitir que Beto não é mais apenas o menino que conheceu anos antes.
Resenha:
Cidades Pequenas Não Guardam Segredos me surpreendeu logo nas primeiras páginas ao transformar uma cidade pacata em um palco de mistérios, tensões familiares e sentimentos mal resolvidos.
Cecília não é apenas uma protagonista curiosa: ela carrega o sonho de ser detetive como herança afetiva do avô, e isso dá à narrativa um peso emocional que vai muito além de investigar um incêndio suspeito. A cada pista encontrada, fica claro que Itaipaema guarda muito mais do que ruas tranquilas e janelas sempre abertas.
O reencontro com Beto traz uma camada intensa de conflito interno. Ele é lembrança da infância, mas também é possibilidade de perigo. Essa dualidade faz a leitura avançar com ansiedade, porque o coração da protagonista parece tão confuso quanto o caso que ela tenta resolver. O livro constrói tensão sem pressa, usando detalhes do cotidiano, diálogos cheios de subtexto e situações aparentemente simples que se revelam decisivas depois.
Há algo de muito humano nessa história: a avó que insiste em casamentos, o avô que duvida das escolhas da neta, a cidade que prefere fingir que nada acontece. Tudo isso cria um contraste perfeito entre o que é visível e o que está escondido. Os enxames de vespas, os segredos antigos e os silêncios prolongados funcionam como símbolos de uma comunidade que aprendeu a esconder suas feridas.
O maior mérito da obra está em mostrar que crescer também é investigar a si mesma. Cecília precisa provar sua competência profissional enquanto enfrenta emoções que tentou ignorar por anos. A leitura provoca identificação, principalmente em quem já voltou a um lugar do passado achando que tudo estava igual e descobriu que as memórias mudam quando somos adultos.
Esse é um livro para quem ama mistério, mas também para quem gosta de romances que respiram verdade, com personagens imperfeitos e situações que poderiam acontecer em qualquer cidade pequena. A narrativa prende, emociona e deixa aquela sensação de que nem todo segredo quer ser revelado, mas alguns precisam vir à tona para que a vida continue.
📚 Disponível na Amazon.
✨ Você teria coragem de investigar uma cidade inteira sabendo que o maior segredo pode estar dentro de alguém que você ama?
Classificação: 5/5

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