Aster: A Ilha das Cidades a Vapor, de Vagner A. Pimentel

Em Aster: A Ilha das Cidades a Vapor, de Vagner A. Pimentel, somos levados a um mundo vitoriano movido a vapor onde uma pequena robô desperta sozinha em um quarto secreto, sem respostas e com um único problema urgente: sua energia está acabando. A partir desse ponto, ela precisa explorar túneis escuros, estruturas mecânicas e ambientes tão fascinantes quanto perigosos em busca de sobrevivência. Conforme avança, o que parecia apenas uma jornada para se manter ativa começa a revelar mistérios maiores, envolvendo aquele lugar e até sua própria existência, transformando a narrativa em uma experiência cheia de tensão, descoberta e questionamentos sobre identidade e propósito.



Eu nem estava planejando me envolver tanto com essa leitura, mas teve um momento específico, logo no começo, que me fez parar e pensar “ok, tem algo muito diferente aqui”. Não foi uma cena grandiosa, foi justamente o contrário. Um despertar silencioso, estranho, desconfortável… e uma sensação constante de que alguma coisa não está certa.

A partir daí, a história começa a se montar como um aesthetic fragmentado na cabeça: engrenagens espalhadas, metal frio refletindo pouca luz, túneis escuros que parecem não ter fim e, no centro de tudo, essa pequena robô tentando continuar funcionando mesmo com tudo contra ela. Cada detalhe encaixa como peça de máquina, e quanto mais você avança, mais percebe que esse mundo foi pensado com cuidado.

É uma leitura muito sensorial. Dá pra “ouvir” o livro, com aquele som constante de engrenagens girando devagar, como se tudo estivesse sempre em movimento. Dá pra imaginar o cheiro de ferro, de vapor, de algo antigo que nunca foi completamente abandonado. E o mais forte é a urgência… a energia dela está acabando, e isso não fica só na narrativa, você sente essa pressão junto.

O que me prendeu de verdade foi como a história não entrega respostas fáceis. Ela te faz observar, desconfiar, montar teorias. Você vai explorando junto, tentando entender aquele lugar e o que está escondido ali. Quando percebe, já está completamente dentro, querendo descobrir mais e ao mesmo tempo tentando juntar as peças.

E aí a leitura deixa de ser só sobre sobrevivência. Começa a mexer com algo mais profundo, com identidade, memória, propósito… até onde vai aquilo que a gente é, quando tudo ao redor parece incerto?

Você confiaria nas suas próprias lembranças se acordasse em um lugar assim, sem saber quem é e com o tempo contra você?

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