Resenha: 2050 Humanos Mecânicos, Robôs Humanizados

 Sobre o livro:





Sinopse: Que tal uma história sobre o futuro? Carros voadores, comunicação por telepatia, tecnologia de imersão total; já imaginou isso? Será um memorável amanhã! Muitas invenções para contribuir com o bem-estar da sociedade, um leque enorme de coisas a descobrir se abre para a preservação do planeta; emocionante, não acha?! Bom, seria... se não fosse pela natureza do homem, o que me levou a pensar, e ainda me faz pensar, mesmo depois de tudo ruir, sobre o rumo que tomamos e continuamos a trilhar. Se me permite adiantar um pouco do que vivi, seremos os próprios culpados pela nossa ruína. Não serão seres de outro planeta que nos extirparão, não será uma legião de máquinas fora de controle que nos varrerá da Terra, mas apenas nós, humanos, em busca de controle, poder, nutridos por ganância e egoísmos. Apesar dos pesares, daqui décadas a frente do seu tempo, caro leitor, deixo um conselho: antes de melhorarmos tecnologicamente, deveríamos buscar, primeiramente, o desenvolvimento do homem como um ser que considera o seu próximo, um ser empático. Do contrário, o seu presente galopa de encontro ao meu futuro. É sobre ele que irei lhe contar, então qual será o fim que te aguarda? O mesmo que o meu?

Resenha: 

2050: Humanos Mecânicos, Robôs Humanizados me pegou por um ponto muito mais inquietante do que carros voadores ou androides quase indistinguíveis de pessoas: o que acontece quando evoluímos tanto as máquinas e esquecemos de evoluir como seres humanos?

Thompson Adans constrói sua ficção científica pelo relato de Elijah Vanguard, pesquisador que olha para o futuro. E gostei especialmente de a tecnologia não aparecer simplesmente como vilã. Ela é fascinante, útil e impressionante. O problema está no uso que fazemos dela e na facilidade com que conforto, lucro e controle passam a valer mais do que autonomia, criatividade e empatia.

Elijah cresceu em uma família que desconfiava dessa dependência. A influência mais divertida vem da avó Maria, que transforma até uma vassoura em símbolo de resistência aos robôs domésticos, dando leveza às reflexões.

Um dos momentos que mais me chamou atenção acontece na infância de Elijah. Enquanto os colegas utilizam assistentes de IA para resolver tarefas, ele insiste em aprender sozinho e acaba sendo tratado como atrasado. A provocação toca numa questão enorme: se terceirizarmos nosso raciocínio, o que sobra da nossa capacidade de pensar?

E então 2050 mostra suas contradições. Temos trem de levitação magnética, turbinas eólicas holográficas, inteligência artificial por toda parte, androides capazes de monitorar o organismo humano e até imprimir uma refeição personalizada em 3D. Por trás do espetáculo, existem segregação, isolamento, substituição de trabalhadores e uma sociedade afastada do contato humano. 

Foi esse contraste que tornou a leitura interessante para mim. Não é uma história que pede apenas para imaginar “como será 2050?”. Ela provoca outra pergunta: “o que estamos fazendo agora para chegar até lá?”. A sexta grande extinção anunciada pelo narrador paira sobre tudo como consequência construída pouco a pouco, não por máquinas revoltadas, mas pelas escolhas humanas.

A voz de Elijah também aproxima o leitor. Ele faz perguntas, brinca, relembra episódios familiares e retorna a assuntos incômodos

Assim, a leitura mistura ficção científica, crítica social, tecnologia, filosofia e humor com a sensação de que algo maior se aproxima.

Para quem gosta de futuros tecnológicos que servem de espelho para o presente, esta é uma obra que rende reflexão depois da última página. No fim, a pergunta mais assustadora talvez não seja se os robôs conseguirão se tornar humanos, mas se nós continuaremos sabendo o que significa ser humano. E isso incomoda demais.

2050: Humanos Mecânicos, Robôs Humanizados está disponível na Amazon.

Você encararia esse futuro para descobrir até onde a humanidade foi capaz de chegar?
 
Classificação: 5/5

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