Sinopse: “– Porque você é uma lutadora, Mileena, uma guerreira — ele segura meu rosto entre as mãos. — Você precisa acordar e esperar por mim. Sabe que a encontrarei. “ Um mundo onde uma humana que sempre flertou com a ideia da morte precisa lutar por sua vida contra os Tunners, vampiros ancestrais que a cercam e trazem mistérios que não consegue desvendar. Mileena encontrará muito além do que jamais imaginou, um mundo completamente novo, ao ser introduzida a verdadeira face de uma sociedade sobrenatural que a rejeita, inimigos que não consegue vencer e amores que não se podem amar. Entre maldições, perigos e um destino predestinado pelo passado, Mileena descobrirá que o amor nasce em suas diferenças. Sua afeição e cuidado lutam contra seu desejo por Wesley Tunner, um homem quebrado que deseja, acima de tudo, o caos, não acreditando no amor e muito menos em seus sinais. O desejo e o amor só andam atrelados quando se aceita seu destino. Mas como se pode aceitar algo que só lhe trouxe dor? Conteúdo adulto. Esta obra aborda temas sensíveis que podem ser desconfortáveis para alguns leitores, incluindo tentativa de violência sexual, abuso psicológico, manipulação emocional, trauma e suicídio.
O que mais me prendeu em Ardor Rubro foi perceber que Wesley passa boa parte do livro dizendo que não acredita no amor justamente enquanto suas atitudes começam a desmenti-lo. E quanto mais ele tenta se convencer de que Mileena é apenas um problema em sua existência, mais evidente fica que ela se tornou a única pessoa capaz de atravessar as defesas que ele levou séculos construindo.
Mileena chega à história carregando uma necessidade quase dolorosa de agradar. Ela aceita situações que não deseja, sente culpa quando tenta impor limites e convive com uma voz interna cruel que transforma tudo em responsabilidade dela. Isso pesa principalmente em sua relação com Lucas, que vai ficando cada vez mais incômoda até ultrapassar limites de uma maneira bastante difícil de acompanhar. Gostei de como essa fragilidade não significa ausência de força. Quando realmente precisa lutar por si mesma, Mileena luta.
E então existe Wesley Tunner.
Vampiro, psicopata, arrogante, absurdamente poderoso e conhecido até entre os seus pela violência. Só que Raquel Romeu vai desmontando essa figura aos poucos. Por trás dos olhos rubros que ele esconde, das luvas, do medo que provoca e das histórias sobre o “vampiro sanguinário”, existe alguém que cresceu sendo tratado como objeto, aprendeu cedo a associar proximidade à violência e passou a acreditar que sentir era uma fraqueza.
Foi justamente essa contradição que mais gostei de acompanhar.
As cenas entre os dois funcionam porque não ficam restritas à atração. Adorei os momentos de leitura compartilhada, a ilha, a cachoeira, a biblioteca e até pequenas situações em que Wesley parece descobrir experiências absolutamente comuns pela primeira vez. O homem que afirma não precisar de ninguém começa a cozinhar para Mileena, cuidar de seus pesadelos, respeitar seus limites e perceber coisas nela que nem ela consegue enxergar.
Ao mesmo tempo, Ardor Rubro não abandona sua parte sombria. Há clãs de vampiros, maldições, uma Morte bastante inconveniente, rivalidades familiares, caçadores Van Helsing e uma mitologia que vai crescendo conforme Mileena entende em que tipo de mundo foi jogada. A revelação sobre o próprio sangue dela abre ainda outra camada para esse romance entre duas pessoas que, teoricamente, deveriam estar em lados opostos.
E o final faz questão de deixar algumas portas muito abertas. O epílogo, inclusive, me fez terminar pensando que determinados conflitos estão bem longe de acabar.
É uma leitura que indicaria principalmente para quem gosta de romance paranormal, vampiros, personagens moralmente cinzentos, tensão, cenas hot e relações construídas no contraste entre perigo e vulnerabilidade. Wesley definitivamente não é um mocinho tradicional, e essa é justamente uma das partes mais interessantes da leitura.
Ardor Rubro, de Raquel Romeu, está disponível na Amazon.
Se uma Van Helsing se apaixona por um vampiro, quem deveria ter mais medo?

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