Resenha: Bom pai, mau pai: aprendendo com os (muitos) erros e (alguns) acertos do Rei Davi - Fausto Flor Carvalho

  Sobre o livro:




Sinopse: Falar sobre o papel do pai é fundamental quando pensamos na educação dos filhos e no desenvolvimento da geração futura. Sabe-se que a presença e o envolvimento paternos são fundamentais para que crianças e adolescentes possam desenvolver todo seu potencial. Com este pensamento em mente, o autor olha para a história bíblica do Rei Davi, grande líder político, guerreiro incansável, mas que tem problemas graves em seu papel de pai. Por meio de reflexões curtas de diversos momentos passados por Davi, Fausto traz luz ao homem contemporâneo que deseja ser um pai presente e marcante na vida de seus filhos. Usando uma linguagem simples, direta e contextualizada, aborda temas importantes, alguns até mesmo difíceis. Os temas são trazidos em ordem alfabética, de modo a facilitar a leitura e a compreensão da complexidade e da beleza de ser pai. Boa leitura!

Resenha: 

O que mais me chamou atenção em Bom Pai, Mau Pai foi a escolha de olhar para Davi sem colocá-lo num pedestal. O homem conhecido pela coragem diante de Golias, pela liderança e pela fé também aparece como alguém que errou muito dentro da própria casa. E é justamente nessa contradição que Fausto Flor Carvalho constrói sua reflexão sobre paternidade.

O livro usa episódios da vida de Davi para discutir presença, omissão, culpa, ensino, favoritismo, medo, reconciliação, legado e tantos outros temas ligados à criação dos filhos. A estrutura em ordem alfabética deixa a leitura bastante prática, quase como um conjunto de verbetes que podem ser lidos separadamente, embora exista uma linha muito clara ligando todos eles.

Durante a leitura, fiquei especialmente presa à relação de Davi com Amnon, Tamar e Absalão. O autor volta a esses acontecimentos várias vezes, mas cada retorno acrescenta uma perspectiva diferente. Em alguns momentos, o problema não está no que Davi fez, mas justamente no que deixou de fazer. Sua dificuldade em corrigir, proteger, se posicionar e estar presente acaba produzindo consequências que atravessam toda a família.

Esse contraste fica ainda mais evidente quando Salomão entra em cena. Já mais velho e marcado pelas perdas anteriores, Davi parece compreender melhor o peso da paternidade. Ele prepara o filho, aconselha, transmite conhecimento, organiza recursos e pensa no futuro. Gostei dessa mudança porque impede uma leitura simplista de “bom pai” ou “mau pai”. O livro fala, na verdade, sobre um homem que falha, sofre com as consequências e ainda encontra espaço para aprender.

Outro ponto que diferencia a obra é a experiência pessoal do autor. Como pediatra e pai, Fausto intercala os relatos bíblicos com situações observadas no consultório, exemplos familiares, referências à psicologia e perguntas bastante diretas ao final dos capítulos. Em vários momentos, eu terminava um tema e percebia que a reflexão já tinha saído da história de Davi e chegado à forma como pais de hoje lidam com presença, celular, expectativas, limites, comparação entre irmãos e até sucesso profissional.

E talvez uma das ideias que mais permaneceu comigo seja justamente essa: sucesso fora de casa não compensa uma família emocionalmente abandonada. O livro insiste menos em perfeição e mais em responsabilidade, presença e disposição para corrigir o rumo enquanto ainda existe tempo.

Eu indicaria especialmente para pais, futuros pais e leitores cristãos que gostam de livros práticos, com capítulos curtos e espaço para reflexão pessoal. Também funciona bem para quem já conhece a história de Davi, mas quer observá-la por um ângulo bem diferente daquele normalmente trabalhado.

Bom Pai, Mau Pai, de Fausto Flor Carvalho, está disponível na Amazon.

Qual erro de Davi mais faria você refletir sobre paternidade?

 
Classificação: 5/5

Comentários