Resenha: Marcas do que ficou! - Marcelo Lapenda

  Sobre o livro:





Sinopse: Após o falecimento de sua mãe, resgatando alguns rascunhos e traçar o índice de uma homenagem póstuma, o autor, não revestido de narrador, mas como um interlocutor, fala de forma direta a ela, reforçando marcas que nele ficaram, como também em outras pessoas, expondo seu afeto filial e demonstrando realizações, pensamentos e, por fim sentimentos do que um coração de mãe representa em cada um de nós. Não se trata de uma apresentação do que era, é e será, para o autor, sua mãe, ou mesmo um singelo ensaio biográfico, mas sim colocar em dia o bate papo, ainda que resumido, no início de uma nova e-terna conversa que para sempre terão. A complementar, em uma segunda parte, algumas crônicas rascunhadas pela sua mãe, sobre coisas que a marcaram, escritas desde logo após o falecimento de seu esposo, quando, ao caminhar na praia e tê-lo em seus pensamentos, encontrou uma Estrela do Mar!

Resenha: 

Marcas do que ficou! me levou para um lugar muito íntimo: aquele em que a saudade deixa de ser apenas ausência e passa a existir nas lembranças, nas palavras e nos pequenos vestígios de quem amamos. Marcelo Lapenda escreve após a morte da mãe, Maria Clementina Lapenda, mas não assume a distância de quem simplesmente reconstrói uma trajetória. Ele fala com ela. E essa escolha muda completamente a experiência da leitura.

O autor recupera rascunhos, memórias, realizações, pensamentos para registrar as marcas deixadas pela mãe nele e em tantas pessoas que conviveram com ela. Não é uma biografia convencional, tampouco um inventário de acontecimentos. É afeto transformado em texto. 🕊️

Um dos trechos que mais me tocou foi a reflexão sobre a intimidade entre mãe e filho, construída antes mesmo do nascimento. A imagem desse vínculo atravessa a obra. Ao relembrar a trajetória de Maria Clementina, sua vida acadêmica, o magistério, os alunos, a literatura e a parceria, Marcelo não cria uma figura idealizada. Ele preserva a mulher por meio daquilo que permaneceu vivo na memória.

E então o livro ganha outra dimensão. Na segunda parte, a própria Maria Clementina passa a ocupar as páginas através de suas crônicas, escritas a partir de experiências que também a marcaram. Entre elas está a lembrança iniciada depois da morte do esposo, quando, caminhando pela praia e pensando nele, encontrou uma estrela-do-mar.

Foi justamente essa estrutura que mais me conquistou. Primeiro, conhecemos as marcas que uma mãe deixou no filho. Depois, encontramos as marcas que a própria mãe decidiu colocar no papel. As duas vozes se aproximam e fazem do livro uma espécie de herança afetiva compartilhada com o leitor.

Marcas do que ficou! é uma leitura especialmente significativa para quem já perdeu alguém importante, guarda cartas, fotografias, cadernos ou simplesmente acredita que memória também é uma forma de permanência. Há luto, mas a leitura não fica presa à tristeza. Existe carinho, gratidão, legado, família e a tentativa bonita de continuar uma conversa que a morte não conseguiu encerrar. ❤️

A leitura desperta vontade de revisitar nossas memórias, reconhecer afetos antigos e perceber quantas histórias ainda sobrevivem nos detalhes.

É daqueles livros que fazem a gente pensar nas nossas próprias lembranças e em tudo aquilo que um dia também desejaremos preservar. Uma obra curta em extensão, mas carregada de história, sentimento e identidade.

📚 Disponível na Amazon.

Se você pudesse transformar em livro as marcas deixadas por alguém que ama, de quem contaria a história? 

Classificação: 5/5

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