Sobre o livro:
Sinopse: A poesia se tornou crime. Às escondidas, na cidade de Santo Amaro, um clube clandestino resiste à escuridão imposta por um governo que proíbe toda forma de expressão poética. Entre palavras sussurradas, sentimentos à flor da pele e muita bebida, sete membros misteriosos e complexos se reúnem na calada da noite para escrever, ler e viver a arte que lhes foi negada. Em meio a intrigas, romances e riscos constantes, a poesia se transforma em ato de rebeldia e sobrevivência. Com uma atmosfera noturna e envolvente, O Clube dos Poetas Clandestinos retrata a luta de homens e mulheres que encontram na arte e nos afetos uma forma de resistência
Resenha:
O Clube dos Poetas Clandestinos me ganhou pela ideia que sustenta toda a história: em Santo Amaro, escrever poesia virou crime. Bastaram algumas páginas para eu entrar naquele clima de vigilância e entender por que um papel escondido dentro de um jornal podia representar tanto perigo.
O Clube dos Poetas Clandestinos me ganhou pela ideia que sustenta toda a história: em Santo Amaro, escrever poesia virou crime. Bastaram algumas páginas para eu entrar naquele clima de vigilância e entender por que um papel escondido dentro de um jornal podia representar tanto perigo.
No porão de um casarão antigo, João, Amélia, Jorge, Catarina, Marina, Túlio e Carlos se encontram às escondidas para recitar aquilo que o Governo da Nova Ordem tenta silenciar. O clube não é apenas cenário. É um pequeno espaço de liberdade onde sete pessoas diferentes ainda conseguem ser quem são. Quando brindam à poesia, conversam e compartilham seus textos, existe uma sensação de aconchego, porque sabemos que do lado de fora qualquer palavra pode custar caro.
A história fica mais pesada conforme a repressão deixa de ser ameaça. Livros são proibidos e queimados, casas são fiscalizadas, pessoas desaparecem e quem questiona o governo vive sob medo constante.
Gostei também de acompanhar a vida fora do clube. Jorge foi um dos personagens que mais me tocaram. Estivador, ele aprendeu a ler e escrever depois de adulto e encontra nas palavras uma maneira de enfrentar a solidão. Suas cartas, poemas e sua rotina simples dão uma humanidade enorme à narrativa. Não é difícil perceber que, para ele, escrever não significa querer ser reconhecido. Significa sobreviver emocionalmente.
Catarina e Augusto se destacam demais. Ela pertence ao universo que o governo tenta sufocar, enquanto ele veste a farda da Guarda da Nova Ordem. Essa aproximação cria uma tensão constante entre sentimento, confiança e perigo. Já Túlio mostra como ser chamado de “subversivo” pode significar apenas se recusar a aceitar calado aquilo que está errado.
Quando a resistência cresce, o livro amplia sua dimensão. O que começou em um porão, com poemas escondidos, passa a conversar com algo muito maior: censura, autoritarismo, amizade, desigualdade, memória e coragem. A poesia aqui não está de enfeite. E isso deixa tudo ainda mais intenso. Ela vira identidade, refúgio e resistência.
É uma leitura que combina distopia, crítica social e personagens imperfeitos sem esquecer o lado humano de quem tenta continuar vivendo em meio à opressão. O que mais ficou comigo foi uma ideia simples: quando tentam controlar até aquilo que alguém pode ler, escrever ou sentir, continuar criando já se torna um ato de enfrentamento.
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Se escrever um poema pudesse colocar sua liberdade em risco, você continuaria escrevendo?
Classificação: 5/5

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