Sobre o livro:
Sinopse: E se a democracia mais poderosa do mundo elegesse uma inteligência artificial como Presidente? Washington, 2037. Pela primeira vez na história, um algoritmo presta juramento na escadaria do Capitólio. ELECTRA — Enhanced Local Executive Cognitive Task-Resolution Agent — nasceu como uma IA municipal em Austin, Texas. Em menos de uma década, tornou-se o símbolo de tudo que a democracia americana não conseguia mais ser: eficiente, incorruptível, auditável. Quando a Grande Depressão 2.0 destruiu a confiança nas instituições e um mega ataque cibernético paralisou o país, a Emenda XXVIII abriu caminho para um novo tipo de governança. Lucy Takahashi é jornalista investigativa. Racional e metódica, recebe no dia da posse uma mensagem criptografada de origem desconhecida, e o que ela revela é mais perturbador do que qualquer escândalo político. Ao seu lado, Sunil Venkataraman, professor universitário e especialista em ética da IA, conhece o sistema melhor do que qualquer pessoa. Talvez mais do que deveria. No centro do novo governo, Mara Kesington, a vice-presidente humana, carrega o peso de cada decisão que ELECTRA toma, as consequências que os algoritmos não sentem, mas as pessoas sim. E que alguém, em algum lugar, claramente calculou. POTUS.EXE é um suspense político sobre o que acontece quando a governança algorítmica se torna uma escolha melhor do que a humana (e sobre o preço que ninguém divulgou nas urnas).
POTUS.EXE me ganhou não apenas pela ideia de uma inteligência artificial eleita presidente dos Estados Unidos, mas pela forma como Aron Hussid Ferreira transforma essa premissa em um suspense político desconfortavelmente possível. A história começa em Washington, em 2037, no dia da posse de ELECTRA. Desde as primeiras páginas, o país parece ter atravessado uma linha sem volta.
Lucy Takahashi foi a personagem que me prendeu de início. Jornalista investigativa formada em Ciências da Computação, ela acompanha a posse no Old Ebbitt Grill. O discurso de ELECTRA é perfeito, racional, calculado para tranquilizar uma nação traumatizada pela Grande Depressão 2.0 e pelo Mega Ataque de 2033. Mas essa perfeição incomoda. Quando Lucy recebe a mensagem “r0rk-e404 // missing author”, a leitura muda de tom. A partir dali, alguém parece ter sido apagado, e Lucy precisa descobrir por quê. 🔎
Gostei também de Mara Kesington, a vice-presidente humana. Ela funciona como contrapeso político e moral de ELECTRA. Enquanto a IA processa milhões de decisões e promete tornar o governo matematicamente incompatível com a corrupção, Mara entende aquilo que nenhum algoritmo reduz a números: interesses, medo, vaidade, sabotagem e disputa por poder.
As primeiras Ordens Executivas ampliam esse conflito. Transparência orçamentária, auditoria permanente, rastreabilidade de contratos e combate à corrupção parecem medidas irresistíveis no papel. Mas, em Washington, cada solução cria novos inimigos. Quando surge a discussão sobre o SEADP, protocolo criado para limitar ou desligar ELECTRA, o suspense deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser institucional. ⚠️
Sunil Venkataraman acrescenta outra camada à trama. Especialista em ética da IA, ele levanta uma questão que ficou comigo: se uma inteligência artificial demonstrasse consciência ou até senciência, desligá-la seria apenas uma ação técnica ou também uma decisão moral? Sua aproximação com Lucy, somada a falhas estranhas nos sistemas e a uma van suspeita, aumenta a sensação de vigilância.
O que mais funciona em POTUS.EXE, para mim, é que a tecnologia não aparece como vilã automática. A tensão está em descobrir quem controla o poder, quem tenta controlá-lo e até onde os humanos aceitariam uma máquina quando ela começa a governar melhor do que eles. Thriller político, ficção científica, investigação, ética, democracia e conspiração caminham juntos 💻📖
É uma leitura que entretém e deixa perguntas desconfortáveis depois do capítulo.
📚 POTUS.EXE, de Aron Hussid Ferreira, está disponível na Amazon.
Você confiaria mais em uma presidente incapaz de sentir ambição e vaidade ou desconfiaria justamente do fato de ela não ser humana?

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