Resenha: Carioba - A corrente do vento, Gilberto Hackmann

 Sobre o livro:


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Sinopse: Se você ficou despedaçado com o desfecho de Carioba: as tramas do algodão, saiba que ainda não terminou. Em Carioba: as correntes de vento, Beppe, Fortunata, Carmela e Diogo estão de volta para nos contar os próximos capítulos dessa história fascinante de segredo, mentira, poder e amor. Com a Segunda Guerra Mundial e o estabelecimento da CLT no Brasil, Carioba vê as regras do jogo mudarem completamente. Domênico salvou Carioba e é amado pelo povo, mas não imagina que seu reinado com Cidinha e a pequena Francesca está por um fio. Diogo faz planos paralelos para se dar bem. Carmela descobre segredos que vão partir seu coração. Fortunata se mostra fortaleza para o seus. Beppe testemunha a chegada de um forasteiro que pretende levar Loretta de Carioba. As tramas de Carioba: as correntes de vento vão te enredar numa narrativa em que realismo mágico e ficção histórica se entrelaçam, expandindo o universo que já arrebatou tantos leitores.


Resenha: 

Carioba: as correntes de vento, de Gilberto Hackmann, dá continuidade a Carioba: as tramas do algodão e retoma a história na década de 1940, quando a Segunda Guerra Mundial, as mudanças políticas no Brasil e a instabilidade da fábrica começam a atravessar de forma ainda mais direta a vida dos moradores de Carioba. O livro acompanha novamente Loretta, Fortunata, Beppe, Carmela, Diogo e Domênico, cada um tentando encontrar seu lugar enquanto antigos vínculos, ambições e ressentimentos começam a cobrar umo preço.

Uma das coisas que mais gostei nesta continuação foi perceber como o autor não abandona os conflitos do primeiro livro apenas para criar outros. Tudo volta com consequência. Loretta ainda carrega as marcas do que viveu, mas já não é a mesma mulher que aceitava silenciosamente as decisões dos outros. Carmela também passa por uma transformação muito interessante, principalmente quando percebe que sua vida foi construída durante anos em função das necessidades alheias. Já Diogo me deixou constantemente desconfiada, porque sua mágoa com os Donner vai sendo usada para justificar escolhas cada vez mais difíceis de defender.

A alternância de narradores funciona muito bem justamente por isso. Beppe olha Carioba como alguém que precisa protegê-la. Fortunata observa as pessoas pelo afeto, mas também pela consciência social. Carmela enxerga as relações por suas feridas. E Diogo costuma reorganizar os acontecimentos de uma maneira que quase transforma interesse próprio em justiça. Ler a mesma comunidade por essas vozes dá mais densidade ao romance.

Também achei muito bem trabalhada a presença da História dentro da trama. Guerra, fascismo, nazismo, transformações do setor têxtil e tensões trabalhistas não aparecem como aula ou cenário decorativo. Tudo interfere nas relações de poder da fábrica e na maneira como os moradores entendem trabalho, pertencimento e futuro.

E o título ganha uma força especial ao longo da leitura. Correntes aparecem como prisão, vínculo, dívida e ressentimento, enquanto o vento traz movimento, ruptura e mudança. Essa imagem conversa muito com personagens que passaram anos presos ao que perderam, ao que desejavam possuir ou ao lugar que acreditavam precisar defender.

Para quem leu As tramas do algodão, considero esta uma continuação importante, porque amplia conflitos já plantados e amadurece personagens que ainda tinham muito a revelar. É um romance histórico sobre uma comunidade tentando sobreviver às mudanças sem perder sua identidade.

Disponível na Amazon e no kindle Unlimited.

Até onde você iria para proteger o lugar que chama de lar?

Classificação: 5/5

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