Sobre o livro:
Sinopse: A autora Paula Vinagre, através de uma abordagem forte e sensível, relata as compulsões humanas e as razões que podem acionar tais "gatilhos". O pano de fundo é um retiro, onde as pessoas irão para tratar as feridas da alma, através de técnicas ministradas por um mestre holístico. Terríveis acontecimentos assombrarão esse lugar aparentemente tranquilo, fazendo com que os participantes lutem pela sobrevivência. Um livro impactante, ágil, com uma reviravolta inesperada, que fará o leitor se surpreender do princípio ao fim.
Resenha:
Compulsão, de Paula Vinagre, acompanha um grupo de pessoas que parte para o Sítio Shangri-lá, em Miguel Pereira, em busca de ajuda para diferentes comportamentos compulsivos. O retiro, comandado pelo terapeuta holístico Ricardo Marcondes, promete meditação, yoga, contato com a natureza e práticas de reconexão. Só que a narrativa já abre mostrando a polícia chegando ao local depois de uma chacina. A partir daí, voltamos 48 horas no tempo para descobrir como aquele lugar de cura se transformou em cenário de horror.
Compulsão, de Paula Vinagre, acompanha um grupo de pessoas que parte para o Sítio Shangri-lá, em Miguel Pereira, em busca de ajuda para diferentes comportamentos compulsivos. O retiro, comandado pelo terapeuta holístico Ricardo Marcondes, promete meditação, yoga, contato com a natureza e práticas de reconexão. Só que a narrativa já abre mostrando a polícia chegando ao local depois de uma chacina. A partir daí, voltamos 48 horas no tempo para descobrir como aquele lugar de cura se transformou em cenário de horror.
O que mais me chamou atenção foi a escolha de Paula de não apresentar as compulsões de forma solta. Aos poucos, conhecemos o passado dos personagens e entendemos de onde vêm muitas de suas feridas. Malu carrega uma relação dolorosa com o corpo e a bulimia desde a adolescência no mundo da moda. Nina encontra no furto uma sensação de controle depois de perdas e abandono. Dante aprendeu a jogar ainda criança com o avô. Fabíola tenta preencher, através das compras, um vazio devastador. Gioconda se refugia no álcool. Tatiana transforma a aparência numa obsessão depois de anos de humilhações. São histórias diferentes, mas atravessadas por culpa, rejeição, luto, vergonha ou solidão.
Gostei especialmente de como o retiro funciona primeiro como espaço de observação. A amêndoa saboreada lentamente, a colheita na horta, a água da nascente, a fogueira e as dinâmicas de perdão parecem simples, mas colocam os personagens diante de si mesmos. Até a correção de Ricardo quando alguém diz “meu vício”, sugerindo “estou com o vício de”, diz muito sobre a ideia de separar a pessoa daquilo que ela tenta controlar.
Quando o temporal piora, a energia cai, os celulares ficam sem sinal e o grupo percebe que está isolado, a leitura muda de tom. A atmosfera de retiro dá lugar a um suspense de sobrevivência, com tensão crescente e acontecimentos que fazem a desconfiança circular entre hóspedes e funcionários. As máscaras de animais acrescentam uma camada inquietante e ajudam a sustentar o mistério.
A escrita é direta, com capítulos que alternam presente e passado e avançam rápido. O recurso funciona porque, enquanto conhecemos as origens de cada compulsão, a pergunta sobre o massacre continua ativa. Também gostei de o final não tratar recuperação como solução instantânea. Algumas mudanças acontecem, outras fragilidades permanecem, e isso combina com o que o livro constrói.
Indico para quem gosta de suspense psicológico com violência, segredos, personagens marcados por traumas e uma trama que mistura comportamento humano e sobrevivência.
Disponível na Amazon e Kindle Unlimited.
Se você estivesse nesse retiro, em quem desconfiaria primeiro?

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