Sobre o livro:
Sinopse: LA LA LAND CUIABANO - Um conto de fadas com final (quase) feliz, de VANDERSON CASTILHO MUNHOZ. "La La Land Cuiabano - Um conto da fadas com final (quase) feliz" retrata com romantismo e relembrando uma Cuiabá que tem suas tradições do cotidiano, mas que também quer olhar para a frente, numa viagem a um futuro próximo, sem prejudicar as tradições da capital mato-grossense. Com um olhar distópico e intrigante, contaremos essa história vista através dos olhos de três personagens protagonistas divididas em três partes, onde cada uma delas revelará surpresas e mensagens que vão fazer com que o leitor possa refletir sobre suas atitudes. Este livro é recomendado para quem não esquece as tradições de Cuiabá, mas que também quer saber como será a cidade verde num futuro não muito distante.
Resenha:
La La Land Cuiabano: Um conto de fadas com final (quase) feliz, de Vanderson Castilho Munhoz, nos leva a uma Cuiabá de 2030, em um momento de tensão política e social. Dividida em três atos, a narrativa acompanha Samylle Arruda, fotógrafa e perita em tecnologia, Alberto Castilho, bancário e aspirante a empreendedor, e Cleomara Manfrini, jovem deputada estadual. Os três carregam histórias diferentes, mas acabam conectados por relações, escolhas e ambições que dizem bastante sobre a cidade e sobre o tempo em que vivem.
Essa não foi minha primeira experiência com a escrita do autor. Eu já havia lido Garra de Campeã, então foi interessante reencontrar Vanderson em uma proposta diferente, agora levando a narrativa para um futuro próximo e colocando Cuiabá no centro da história.
A cidade não funciona apenas como pano de fundo, já que o autor usa comidas típicas, ritmos, espaços conhecidos, memórias de cinemas, clubes, futebol e antigas casas noturnas para construir uma Cuiabá que olha para o futuro sem apagar completamente o passado. O contraste entre tradição e modernização é uma das marcas mais interessantes da leitura.
Samylle é quem abre a história e já chega longe de qualquer idealização. Geniosa, impulsiva, ciumenta e cheia de contradições, ela trabalha com fotografia e tecnologia, vive de trabalhos instáveis e carrega as marcas da queda financeira da família. A relação dela com Alberto, um ex-namorado de personalidade quase oposta, acrescenta outra camada ao conflito. Enquanto ele valoriza trabalho, organização e estabilidade, Samylle parece sempre testar os próprios limites. Os diálogos entre os dois deixam esse choque de visões evidente.
Cleomara amplia o alcance da trama. Sua trajetória coloca política, construção de imagem pública, exposição e interesses ao redor do poder dentro da narrativa sem abandonar os conflitos pessoais. Até projetos ligados ao futebol e à transformação urbana entram nesse jogo, reforçando a ideia de uma cidade que tenta se reinventar enquanto continua convivendo com problemas bastante reconhecíveis.
A escrita de Vanderson é direta, com muitos diálogos e uma linguagem que acompanha o jeito impulsivo dos personagens. Em vários momentos, a sensação é de estar diante de uma crônica urbana, em que romance, trabalho, política, precariedade, redes sociais e vida cotidiana dividem o mesmo espaço.
Gostei especialmente dessa identidade regional. Quem conhece Cuiabá pode reconhecer referências e costumes; quem não conhece encontra uma cidade apresentada de dentro, com afeto, crítica e memória.
É uma leitura indicada para quem gosta de romances brasileiros com forte ambientação local, personagens imperfeitos e histórias que misturam relações afetivas, questões sociais e transformação urbana.
Disponível: Amazon e Clube de Autores.
O que você acha mais difícil de preservar quando uma cidade cresce: suas tradições ou a forma como as pessoas se relacionam com ela?
Classificação: 5/5

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