Resenha: Nossos Filhos do Coração - Tadeu Rodrigo Becker Gois

  Sobre o livro:







Sinopse: “Dizer sim à adoção tardia é aceitar caminhar por um terreno onde não existem manuais prontos. É trocar o conforto do previsível pelo desafio de reconstruir a confiança no coração de quem só conheceu o abandono.” Quando um diagnóstico de infertilidade fechou as portas da via biológica, Tadeu e sua esposa descobriram que o destino deles já estava traçado em outro lugar. Nesta obra honesta e emocionante, o autor narra a jornada real da adoção de dois irmãos vindos do interior: os medos iniciais, o choque cultural do mato para o apartamento, as travas escolares, o alívio das promessas cumpridas na praia e a emoção inesquecível de ver suas vozes unidas no coral da igreja. Mais do que um relato sobre adoção, Nossos Filhos do Coração é um testemunho de fé, paciência, liderança no casamento e da beleza de descobrir que o amor não nasce da biologia, mas da escolha diária de pertencer.

Resenha: 

Nossos Filhos do Coração, de Tadeu Rodrigo Becker Gois, relata uma experiência real de adoção tardia vivida pelo autor e sua esposa, Leila. 

Depois de uma perda gestacional, anos de tentativas e uma experiência frustrada com a fertilização in vitro, o casal decide seguir outro caminho para a parentalidade. O que eles não imaginavam era que, menos de 30 dias após a habilitação, receberiam a notícia sobre dois irmãos, uma menina de 11 anos e um menino de 8, vivendo a 600 quilômetros de distância.

O que mais gostei foi justamente o autor não transformar a adoção em uma sucessão de momentos bonitos. Tadeu escreve sobre amor, mas também admite medo, cansaço, insegurança e até os momentos em que tudo pareceu difícil demais. Existe uma honestidade importante nisso, principalmente porque estamos falando de duas crianças que chegam à nova família carregando uma história anterior que não desaparece simplesmente porque encontraram novos pais.

Alguns detalhes dizem muito mais do que grandes discursos. Um deles ficou especialmente comigo: durante uma das primeiras experiências dormindo juntos, as crianças acordam às cinco da manhã. A menina consulta o relógio desconfigurado do micro-ondas e tenta ficar acordada e pronta, numa atitude que revela aquela necessidade de agradar e o medo de uma nova rejeição. É uma cena pequena, mas foi ali que entendi melhor o tamanho da segurança que ainda precisava ser construída.

Também achei muito interessante acompanhar a mudança na relação entre os irmãos. A mais velha havia assumido responsabilidades que não deveriam pertencer a uma criança e praticamente exercia um papel materno sobre o menor. Quando os novos pais começam a estabelecer limites, ela precisa descobrir que não é mais responsável por tudo. Até uma discussão aparentemente banal por duas garrafas de refrigerante ganha outro significado quando entendemos o que está por trás daquele comportamento.

A escrita é direta e bastante confessional. Os capítulos curtos funcionam bem porque acompanham etapas muito concretas dessa construção familiar: aproximação, convivência, escola, regras, burocracia, pertencimento. E gostei especialmente de perceber como certos sinais mudam de significado ao longo do livro. No começo, o sono das crianças é inquieto e vigilante. Mais tarde, dormir profundamente se torna uma demonstração silenciosa de que elas finalmente se sentem seguras.

A fé católica do casal também ocupa um espaço importante no relato, assim como a comunidade, a família e o acompanhamento profissional. Tudo isso reforça uma ideia que considero essencial na obra: adoção tardia não é sobre “salvar” uma criança. É sobre assumir a responsabilidade de construir vínculo, inclusive nos dias difíceis.

Indico especialmente para quem deseja conhecer a adoção tardia para além da versão idealizada e para famílias que estejam considerando esse caminho.

Disponível: UICLAP e AMAZON e Kindle Unlimited.

Na sua opinião, o que faz uma criança começar a sentir que um lugar é realmente seu lar?

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