Resenha: Os Oito Véus: O Despertar - Odilon Carpes

  Sobre o livro:







Sinopse: Alguns segredos permanecem escondidos por uma razão. Quando Rafael retorna à sua cidade natal para recomeçar a vida, a última coisa que espera encontrar é um grupo de alunos curiosos, um antigo porão interditado sob um colégio quase centenário e perguntas para as quais ninguém parece ter respostas. O que começa como uma simples investigação logo se transforma em algo muito maior. À medida que se aproximam do mistério escondido sob a escola, oito jovens descobrem que certas experiências mudam mais do que a forma como enxergamos o mundo. Mudam a forma como enxergamos a nós mesmos. Entre amizades improváveis, rivalidades, primeiros amores, escolhas difíceis e acontecimentos cada vez mais estranhos, o grupo precisará decidir até onde está disposto a ir em busca da verdade. Porque alguns conhecimentos permanecem adormecidos há muito tempo. E talvez exista um motivo para isso. Uma história sobre amizade, pertencimento, coragem e os limites entre aquilo que acreditamos e aquilo que somos capazes de perceber. Ideal para leitores que gostam de: • Dark Academia • Mistérios em escolas antigas • Found Family • Romance slow burn • Fantasia contemporânea • Filosofia e mitologia misturadas à ficção O círculo começou. E os véus apenas despertaram.

Resenha: 

Os Oito Véus: O Despertar, de Odilon Carpes, acompanha Rafael, que retorna a Santa Verena tentando reorganizar a própria vida e acaba se aproximando de um grupo de estudantes do antigo Colégio Horizonte. 

O que começa com uma aula improvisada de Yôga em um porão interditado ganha outra dimensão quando oito jovens passam a dividir experiências estranhas, ligadas a um símbolo antigo, à filosofia indiana e a capacidades que talvez fosse melhor nunca terem despertado.

O mistério cresce aos poucos nessa narrativa e acaba sendo um diferencial enorme no desenvolvimento. O porão, o círculo marcado no chão, a sensação de tempo alterado e aquele som de água que retorna em momentos específicos criam uma atmosfera inquietante sem explicar tudo de imediato. Quando a viagem para a Índia entra na história, essas pistas ganham novas camadas e começamos a perceber que o que parecia coincidência segue um padrão.

A dinâmica do grupo também é algo que merece destaque. Lívia é impulsiva, carismática e coloca todo mundo em movimento. Bruno tenta racionalizar até aquilo que claramente foge do normal. Clara começa muito mais recolhida, mas vai encontrando espaço, amizades e coragem. Diego, Íris, Marina, Gabriel e Henrique também deixam de ser apenas “o restante da turma” conforme suas diferenças passam a ter peso dentro do mistério. Acabei me interessando tanto pelas relações quanto pelo sobrenatural.

Os siddhis são capacidades extraordinárias inspiradas em antigas tradições indianas e, na história, vão muito além da ideia de simples superpoderes. Animā, Mahimā, Garimā, Laghimā, Prāpti, Prākāmya, Īśitva e Vaśītva se manifestam de formas diferentes, mas também estão ligados a questões como desejo, ego, influência, controle e percepção. Aos poucos, o mais interessante deixa de ser descobrir o que cada personagem é capaz de fazer e passa a ser entender como essas habilidades podem afetá-los. Para mim, é justamente isso que dá mais personalidade à fantasia.

A escrita alterna tensão com diálogos cotidianos, humor adolescente e conflitos afetivos. O romance aparece em ritmo lento, sem tomar o lugar do mistério, e algumas relações mudam de forma bastante natural ao longo da leitura. Gostei também de como o livro passa do colégio antigo aos ashrams e ruas da Índia sem perder o fio principal.

O final encerra o arco deste volume, mas deixa espaço para algo maior. Terminei com a sensação de que o “despertar” do título é só o começo.

Indico para quem gosta de fantasia contemporânea, dark academia, mistérios em escolas antigas, found family, filosofia e um toque de slow burn.

Disponível na Amazon e Kindle Unlimited.

Qual dos oito véus você teria mais medo de despertar?

Classificação: 5/5

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