Sinopse: Na pequena cidade de São Thomé das Letras, onde lendas e realidade se confundem, Sofie tenta reconstruir a vida após uma sequência de perdas que a marcaram profundamente. Quando mortes inexplicáveis começam a acontecer, a tranquilidade do campo se transforma em ameaça e a sensação de perigo deixa de ser apenas histórias contadas ao redor do fogo. O medo se instala. A desconfiança cresce. Há algo errado. Algo que a espreita — na mata, no rio e... dentro dela. Dividida entre um amor que nunca terminou, uma paixão que a consome e a presença perturbadora de um homem cercado de mistério, ela é levada a um caminho onde razão e emoção deixam de ser opostos e passam a se misturar perigosamente. Quanto mais se aproxima da verdade, mais ela percebe que está diante de algo que não pode controlar. Nem evitar. E se o maior perigo não for aquilo que a persegue... mas aquilo que desperta dentro dela?
Sofie, de Stella dos Anjos Costa, nos leva a São Thomé das Letras para acompanhar uma mulher tentando reconstruir a própria vida depois de perdas que deixaram marcas profundas. Enquanto administra a fazenda da família e tenta reorganizar afetos que nunca ficaram realmente no passado, mortes inexplicáveis começam a cercá-la. Entre a serra, as grutas, o rio e as lendas locais, a pergunta deixa de ser apenas quem está por trás do perigo e passa a envolver a própria Sofie.
O que mais gostei foi perceber que a fantasia demora a mostrar completamente as cartas. Durante boa parte da leitura, fiquei tentando separar o que poderia ser explicado do que já apontava para algo sobrenatural. Stella espalha sinais pelo caminho: o formigamento que toma o corpo de Sofie em momentos de tensão, os apagões de memória, as luzes na serra, as inscrições na gruta, a presença recorrente do lobo-guará. Quando certas peças finalmente se encaixam, dá vontade de voltar mentalmente a vários desses detalhes.
Mas, para mim, o livro funciona principalmente porque o mistério não engole a protagonista. Sofie é contraditória, carente, impulsiva e, em vários momentos, toma decisões que eu queria impedir. Seus relacionamentos deixam isso ainda mais evidente.
Max representa uma história que nunca foi completamente encerrada, enquanto Augusto, Robson e Donato entram em fases diferentes dessa busca dela por segurança, companhia e pertencimento. E achei interessante o livro não tentar transformar todas essas escolhas em grandes romances. A própria Sofie começa a perceber quando afeto vira muleta, controle ou obsessão.
Também gostei muito de como São Thomé deixa de ser apenas cenário. A gruta, o quartzito, as histórias sobre o Carimbado, as luzes na serra e as crenças contadas por tia Dudu criam uma atmosfera em que lenda e realidade vão se misturando sem pressa. Tia Dudu, aliás, foi uma das personagens que mais gostei de encontrar, justamente porque traz acolhimento, humor e aquela sabedoria popular que combina demais com o universo da história.
A ideia das cores me conquistou por completo. Sofie tenta nomear diferentes momentos da própria vida por meio delas, e isso acompanha muito bem a mudança emocional da personagem. Há luto, abandono, desejo, medo e reconstrução, mas sem apagar o suspense que atravessa a trama.
É uma leitura que indicaria principalmente para quem gosta de fantasia sobrenatural misturada a mistério, romance, folclore e conflitos emocionais, especialmente quando o fantástico vai surgindo aos poucos e muda nossa interpretação do que já aconteceu.
Disponível: Amazon e Kindle Unlimited.
Se a serra começasse a dar sinais, você investigaria ou ficaria bem longe da gruta?

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