Resenha: Assim Que Você Se Foi: O que aconteceu depois daquele dia? por Vinícius Monfrinato

  Sobre o livro:





Sinopse: VOLUME 1 DA TRILOGIA "ASSIM QUE VOCÊ SE FOI" Susana já foi o nome que o Brasil gritou nas pistas de patinação. Hoje, é o nome que assina o boletim de desaparecimento da própria filha. O carro abandonado. A porta aberta. O tênis dela no asfalto. Sem sinal de luta. Só as digitais de mãe e filha. Enquanto a imprensa transforma seu luto em espetáculo, Susana se agarra a cartazes nos postes e a visitas ao IML que tiram o ar. Até que o investigador liga. E a verdade que ele traz é pior que qualquer manchete. Um Thriller psicológico intenso sobre luto, culpa e até onde uma mãe iria para trazer sua filha de volta.

Resenha: 

Em “Assim que você se foi”, primeiro volume da trilogia de Vinícius Monfrinato, acompanhamos Susana, uma ex-patinadora de destaque nacional que enfrenta o desaparecimento da filha, Cintia. Um carro abandonado na estrada e uma ligação interrompida dão início à busca. 

Já li “A garota da ponte: entre segredos e mentiras” e “O garoto das sombras”, do mesmo autor, e agora fui conhecer os segredos dessa família.

A relação entre mãe e filha foi o que mais me interessou. Susana tem uma história marcada por perdas e tenta manter Cintia protegida de qualquer risco. Só que, para a filha, esse cuidado se tornou uma vigilância que interfere nas amizades, nas escolhas e até na possibilidade de descobrir o que deseja para si. Eu compreendia a origem do medo da mãe, mas também sentia o cansaço da filha. Em vários momentos, tive vontade de pedir que Susana escutasse antes de responder.

A patinação dá uma forma concreta a esse conflito. Existe orgulho em compartilhar o esporte, mas também o peso de seguir os passos de uma mãe reconhecida por sua excelência. A decisão de Cintia de buscar outro treinador, por exemplo, tem um significado que ultrapassa a pista: ela quer construir alguma coisa sem ser constantemente comparada a Susana.

Gostei de como as gravações caseiras participam da narrativa. A filmadora acompanha celebrações, viagens e apresentações, registrando a família que Susana tanto deseja preservar. Depois, rever essas imagens ganha outro peso. Os pequenos rituais entre mãe e filha também ajudam a tornar aquela ausência dolorosamente concreta.

O livro dedica bastante espaço ao drama familiar antes de concentrar a tensão na investigação. Os diálogos são longos, diretos e carregados de desabafos; os personagens colocam em palavras suas mágoas, às vezes de maneira explosiva. Isso dá às discussões um tom bastante dramático. Para mim, a leitura funcionou principalmente pelo desconforto de perceber quanto afeto pode existir numa relação que também machuca.

Alice merece atenção nesse conjunto. Sua amizade com Susana oferece acolhimento, enquanto seus próprios receios como mãe ampliam a discussão sobre proteção e autonomia. As músicas citadas ajudam a acompanhar a passagem dos anos e dão às cenas uma identidade ligada às lembranças dos personagens.

Indicaria para quem gosta de suspense psicológico com segredos familiares e conflitos de maternidade. Este volume abre perguntas importantes e termina com um gancho que pede a continuação. Eu terminei querendo confrontar algumas pessoas e começar logo o segundo.

Disponível na Amazon e Kindle +.

Quando proteger começa a sufocar? 

Classificação: 5/5

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