Sinopse: Olivia Faragon, uma jovem e bela cantora, é a anfitriã de uma grande festa de Réveillon promovida na zona sul da cidade. Toni Thorton, seu antigo amor, convence seus velhos amigos a invadirem a festa com a desculpa de que teria uma surpresa para todos. Porém, o rapaz é encontrado morto antes de realizar seu desejo. A cidade é tomada por uma conturbada investigação. Os amigos de Olivia começam a receber presentes anônimos que os ligam ao crime, e, na tentativa de se safarem da culpa, tentam encontrar o assassino. Olivia sente-se presa ao passado e por mais que tente seguir em frente, não consegue evitar reviver aquela antiga paixão. Qual seria a surpresa? Quem o matou? O círculo vai se fechando e aos poucos os suspeitos vão dando as caras.
Em Depois da Meia-Noite e Debaixo de Sete Palmos, Renan Araujo nos leva a Catarata, onde Olivia Faragon, cantora e professora de canto, organiza uma festa de Réveillon em sua mansão. Entre música, bebidas e convidados que nem deveriam estar ali, a comemoração termina com um corpo no jardim. E, de repente, todo mundo parece ter algo a esconder.
Uma das coisas que mais me chamou atenção foi como conhecemos essa turma antes e depois da tragédia. Olivia transita entre amigos da zona norte e da zona sul, e o contraste vai muito além dos endereços. Existem mágoas, ciúmes, lealdades e relações que nunca foram realmente resolvidas. Ela não é apenas a anfitriã de uma festa que deu errado: tem um passado com aquelas pessoas, e isso muda a maneira como enxergamos cada suspeita.
Os flashbacks entram no meio da investigação para revelar o que aproximou ou afastou os personagens. Gostei desse recurso porque uma conversa aparentemente banal ganha outro significado quando sabemos o que aconteceu antes. Confesso que, com tanta gente em cena, precisei prestar atenção para não confundir alguns vínculos. Por outro lado, esse elenco numeroso mantém a dúvida circulando.
Também gostei dos detalhes deixados pelo caminho, como os presentes anônimos acompanhados de citações e as rosas amarelas que reaparecem em momentos importantes. São elementos que fazem a gente observar melhor cada gesto. E a música tem um espaço especial: há até uma playlist sugerida pelo autor, e as canções acompanham tanto as festas quanto as lembranças de Olivia. A história passa da euforia de uma pista de dança ao desconforto de uma conversa cheia de segundas intenções.
O suspense ainda abre espaço para uma crítica social interessante. Em Catarata, o sobrenome de uma vítima pesa na atenção recebida pela polícia, enquanto os jovens da zona sul convivem com julgamentos antes mesmo de qualquer prova. Gostei de ver essa desigualdade interferindo diretamente nas desconfianças.
A escrita é visual e movimentada, com diálogos, humor, romances e tensão policial. Não é um mistério que vive só de pistas: as amizades rompidas, os sentimentos mal resolvidos e a necessidade de proteger alguém também conduzem a trama. E achei interessante como as lembranças de Olivia sobre Toni ainda interferem na maneira como ela tenta seguir em frente.
Recomendo para quem gosta de suspense com muitos suspeitos, conflitos entre amigos e uma boa dose de drama e romance. O encerramento deixa questões abertas, apontando para uma continuação.
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Se você estivesse naquela festa, em quem confiaria?

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