Sinopse: Em Plumpton, uma cidadezinha do Texas, Lucy e Savvy sempre foram as meninas dos olhos de todos: bonitas, inteligentes e alvo da inveja geral. Lucy se casou com o marido dos sonhos, conquistando um anel enorme e uma casa maior ainda. Já Savvy era a rainha do carisma. Não havia quem não a adorasse – especialmente os homens da cidade, segundo os boatos. Até que tudo desmoronou: um dia, Lucy foi encontrada vagando pelas ruas de madrugada, coberta com o sangue de Savvy, sem ter ideia do que aconteceu. Apesar de sua culpa nunca ter sido provada, todos têm certeza de que ela é uma assassina. Agora, cinco anos depois, com uma vida nova em Los Angeles, Lucy ainda não consegue se lembrar de nada relacionado àquela noite terrível. Mas quando Ben Owens, o apresentador bonitão de No Rastro da Mentira , um famosíssimo podcast de true crime, decide investigar o assassinato de Savvy para a segunda temporada, Lucy é forçada a voltar ao lugar onde jurou nunca mais pisar para descobrir quem matou sua amiga. Mesmo que tenha sido ela mesma. A verdade está em algum lugar. Basta saber que rastro seguir.
Em “No rastro da mentira”, Amy Tintera acompanha Lucy Chase, suspeita de ter assassinado Savannah, sua melhor amiga, cinco anos antes. Lucy foi encontrada com sangue nas roupas e não se lembra do que aconteceu naquela noite. Quando o jornalista Ben Owens transforma o caso em um podcast de true crime, ela volta à cidade natal, onde quase todos têm versões dos fatos e algo a esconder.
Eu terminei essa leitura com uma impressão bem dividida. Gostei da proposta, principalmente das entrevistas do podcast intercaladas com os capítulos de Lucy. É como acompanhar uma série investigativa da Netflix: cada depoimento muda um detalhe, levanta outra suspeita e faz a gente tentar montar o quebra-cabeça. Foi o recurso de que mais gostei.
Só que a quantidade de personagens e conexões entre eles acabou me atrapalhando. São ex-relacionamentos, traições, amizades desfeitas, ressentimentos familiares e segredos que surgem quase ao mesmo tempo. Entendo a intenção de fazer todo mundo parecer suspeito, mas houve momentos em que eu estava mais preocupada em lembrar quem tinha se envolvido com quem do que em acompanhar a investigação. Isso tirou um pouco do prazer de ler.
Lucy também não me conquistou. O humor ácido e os pensamentos violentos que aparecem na cabeça dela criam situações inusitadas e até engraçadas, mas não consegui me conectar com sua personalidade nem com suas atitudes. Sem essa conexão, foi ainda mais difícil me envolver com a história.
Outra coisa: desde cedo, tive a sensação de que a pergunta principal não era se Lucy havia cometido o crime, mas o que as outras pessoas escondiam. Criei teorias, observei as contradições e quis saber como tudo se encaixaria. Ainda assim, demorei muito para sentir aquele impulso de virar a próxima página. Só depois de mais de 60% da leitura, especialmente por volta do capítulo 44, o mistério realmente começou a despertar meu interesse.
A reta final traz uma revelação que me surpreendeu, e reconheço o trabalho da autora em espalhar pistas e versões conflitantes. Mas, depois de tanta expectativa, esperava mais da resolução. O impacto da descoberta não compensou totalmente o caminho confuso e o ritmo irregular que senti antes.
Fechei o livro com 3 estrelas. Não foi uma experiência ruim, só uma que prometia mais do que entregou para mim. Para quem gosta de suspense com podcast, muitos suspeitos e protagonistas pouco convencionais, pode funcionar melhor. Eu fiquei pelo mistério e pelo desejo de descobrir a verdade, não exatamente por estar envolvida com a leitura.
Disponível na Amazon.
Você confiaria em alguém que não se lembra da noite do crime?

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