Resenha: Onde Eu Possa Existir - Felipe Finamore

    Sobre o livro:





Sinopse: Roberto sempre acreditou que a fé seria suficiente para guiá-lo. Criado em uma família religiosa e cercado por expectativas que nunca escolheu, ele aprendeu cedo a esconder quem era. Dividido entre o amor que finalmente o faz sentir vivo e o medo de decepcionar todos ao seu redor, Roberto se vê preso em um conflito que muitos conhecem bem: o peso da culpa, o julgamento, e a luta diária para não desaparecer dentro de si mesmo. Onde Eu Possa Existir é um romance intenso sobre descobrir a própria voz quando o mundo insiste em calá-la. Uma história para quem já amou em segredo, para quem já teve medo de ser visto, e para quem ainda busca um lugar onde possa existir por inteiro.

Resenha: 

"Onde Eu Possa Existir", de Felipe Finamore, acompanha Roberto, o Beto, um jovem de 18 anos criado em uma família cristã e muito ativo na igreja, que tenta conciliar a fé que ama com sentimentos que aprendeu a enxergar como errados. A história começa em 2007, entre faculdade, Orkut, conversas escondidas na internet e uma rotina aparentemente organizada, mas já marcada por culpa, medo e uma necessidade enorme de caber no que esperam dele.

O que mais me chamou atenção foi justamente acompanhar essa mudança por dentro. Beto não questiona tudo de uma hora para outra. Ele tenta evitar, negar, racionalizar, se afastar, buscar respostas na igreja e até se convencer de que determinadas escolhas podem silenciar aquilo que sente. Isso tornou o personagem muito humano para mim, porque o conflito não nasce de falta de fé. Pelo contrário: ele ama profundamente a Deus, e é justamente por isso que sofre tanto ao acreditar que precisa escolher entre a própria verdade e aquilo que aprendeu desde criança.

A chegada de André muda o eixo emocional da narrativa. A relação entre eles cresce aos poucos, primeiro na amizade, depois nos pequenos gestos, nos olhares, nas conversas e na sensação de segurança que Beto encontra ao lado dele. Gostei especialmente porque o romance não aparece isolado. Ele mexe também com amizades, família, igreja, culpa, pertencimento e até com a forma como Beto passa a enxergar a si mesmo.

Felipe Finamore trabalha uma história muito ligada à identidade, fé e aceitação, mas sem transformar Beto em alguém que precisa abandonar uma parte de si para acolher a outra. A religião permanece importante durante todo o percurso, inclusive nos momentos mais difíceis. Isso dá força à proposta do livro e evita uma solução simples para um conflito que é profundamente emocional.

Também gostei dos detalhes de época, como Orkut, SMS, MP3 e as conversas no computador, além da presença constante da música e da rotina da igreja. São elementos simples, mas ajudam a situar a juventude de Beto e tornam sua trajetória mais próxima.

É uma leitura para quem gosta de romances com desenvolvimento emocional, conflitos familiares e religiosos, representatividade LGBTQIA+ e personagens que precisam aprender a existir sem se apagar para agradar os outros.


Disponível na Amazon e no Kindle Unlimited.


Até onde uma pessoa consegue se esconder de si mesma para continuar pertencendo?

Classificação: 5/5

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